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Comerciais de TV - História |
A história da propaganda na TV
Em 1950 é inaugurada a primeira emissora de
Televisão Brasileira e também a primeira da América Latina, a TV Tupi (canal
4) em São Paulo. A iniciativa foi de Assis Chateaubriant, um homem de muito
talento e visão.
Estamos adiantados em relação a nossos vizinhos sul-americanos, já existiam
tecnologias mais avançadas que a nossa, pois o ano de inauguração da TV
Tupi, os Estados Unidos autorizavam o funcionamento da televisão em cores.
No que se diz respeito ao desenvolvimento de nossas industrias e bens de
consumo, começamos então uma nova era eletrônica, era em que importávamos
filmes em latas, as agências McCann Erikson e a J.W. Thompson, trazem o
“know-how”, criando, redirigindo e produzindo programas, devido à falta de
profissionais experientes em televisão, produzíamos ligeiros programas,
comerciais ao vivo, eles adaptavam o modelo estrangeiro ao modelo
brasileiro, mas também era em que as demonstradoras (garotos-propagandas),
ganhavam seu espaço anunciando produtos, tinham muito prestigio, e mais
sucesso do que muitos locutores do rádio, as que mais se destacaram foram
Idalina de Oliveira, Meire Nogueira, Wilma Chandler, Odete Lara e Maria
Rosa.
Infelizmente a glória desses apresentadores foi muito breve, a decadência
muito rápida. Isso aconteceu por inúmeros motivos. Diziam apenas plataformas
de texto, somente faladas, que muitas vezes eram simples estratégias de
proposições de venda enquanto alisavam carinhosamente o produto.
Não existia lado criativo, só se mostrava razão de compra. Além de muitas
vezes na demonstração do produto algum imprevisto ocorria e como os
comerciais eram feitos ao vivo, as apresentadoras geralmente não sabiam como
reagir a tal situação levantando todo um trabalho de convencimento do
público sobre o produto os outros produtos, tudo então ia por água abaixo.
Começou então o que foi chamado de estilo transamazônico, um estilo de
anúncios longos que existe até hoje, havia uma preocupação de que quanto
mais se falava, mais se convencia o público, mas falar demais nem sempre é
seguro, pois as pessoas perdem tempo em ler com atenção um anúncio na rua
enquanto está passando, anúncios devem ser breves e que chamem atenção,
mesmo nesta época achava-se anúncios curtos, rápidos no entendimento,
interessantes, esses sempre existiram, e quanto menor e mais interessante
for, é sempre bem vindo.
Fundou-se em 1951, pela necessidade de formar profissionais da área, a
primeira Escola Superior de Propaganda. Com professores escolhidos entre os
profissionais mais qualificados e empenhados a orientar e visar o lado
prático. Com tudo isso, a escola formou incontáveis publicitários. Sendo que
grande parte deles foram aproveitados por agências e veículos de
comunicação, que hoje estão nos altos escalões da publicidade.
A Escola Superior de Propaganda foi o sinal da maturidade da profissão no
Brasil. Surgir em São Paulo foi importante, pois as iniciativas no campo da
publicidade ainda estavam com o Rio de Janeiro e também importante por
diversificação das industrias.
Com a popularização dos eletrodomésticos, como a GE, Walita, entre outras,
não existiam profissionais que dessem conta de tantos trabalhos. Os bons em
criação eram poucos, então tinham que trabalhar horas após o término do
expediente. Muitas vezes, várias agências utilizavam o mesmo redator, outra
competição, 15 agências em que 13 apresentavam layout do mesmo artista.
Mesmo na política, o mesmo publicitário fazia a campanha de vários e
principais candidatos.
Não podemos deixar de retratar as industrias automobilísticas, Volkswagen,
Ford, Jeep, Chevrolet, entre outras, que levantaram uma concorrência muito
forte, também fazendo com que publicitários do Rio de Janeiro migrassem para
São Paulo.
Um grupo de São Paulo, em 1956 lança a Revista Propaganda, que tratava de
assuntos ligados a Publicidade e Propaganda e também o futuro do Brasil,
promoções, verba de propaganda, as perspectivas do ano e os destaques. A
revista nascia sob o signo do profissionalismo e acima de tudo assinada por
grandes nomes da propaganda brasileira.
Com tanto crescimento, ficava difícil saber quais das propagandas eram boas,
tinham qualidade, eram muitos anúncios bons, outros ruins, mas eram
maçantes, comuns.Até a Kolynos lançar um anúncio que dizia: “Ah!... gente
dinâmica prefere Kolynos”.A diferença dos outros anúncios de creme dental
estava clara, até então os anúncios de creme dental travam de assuntos
repetitivos, cáries, mau-hálito, dentes brancos.
A Kolynos quebrou paradigmas, incorporou a refrescância com a expressão
“Ah!...”, foi curta, direta e extremamente criativa, causando muita polêmica
nos concorrentes.
A propaganda na Televisão iniciou-se praticamente do “zero”, em 1951, os
comerciais de 30 segundos custavam 120 cruzeiros antigos, mesmo assim os
anunciantes eram poucos, geralmente tinham públicos restritos, como a Casa
Clô e Persianas Columbia, como a TV era um aparelho muito caro, somente
pessoas com alto poder aquisitivo tinham, pessoas da alta sociedade
paulista. Apesar de não produzirmos aparelhos de TV, não termos público e o
mercado publicitário ainda ser jovem, Chateaubriand vendeu um ano de espaço
publicitário de televisão para as empresas: Sul América Seguros, Antarctica,
Moinho Santista e empresas Pignatari (Prata Wolf), só viram para TV anos
mais tarde, quando ela se popularizou.
O repórter fundador do Diários Associados, da TV Tupi, a frente de O Jornal
do Rio de Janeiro, dono cadeia de jornais e emissoras de rádio, e mais tarde
o homem de propaganda, Assis Chateaubriant foi o criador do primeiro
departamento de propaganda de um jornal no Brasil. Analisava os outros
jornais e os anunciantes destes, procurava e questionava os responsáveis
pelo departamento o porque aqueles anunciantes não anunciavam em seu jornal.
Às vezes ia até as agências e procurar saber o mesmo, chegava até a ditar a
redação de anúncios.
Durante a Campanha Nacional de Aviação, ele procurava novos doadores, isso
lhe era muito importante, pois estava diretamente ligado ao mundo.Tudo para
ele era ligado a promoção, como a Campanha da Criança, para a implantação de
centenas de Postos de Puericultura em todo o país. A Festa de Coberville, a
promoção do Algodão em benefício da economia algodoeira nordestina, aqueles
que ajudavam, tinham destaque na publicidade. Com esse empenho ele também
conduziu a campanha para a construção do MASP – Museu de Artes de São Paulo.
Seu trabalho era extenso, trabalhou em várias segmentações e mais tarde
novas estações de sua rede de televisão.
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